Produção de seda no Brasil

Apesar de algumas iniciativas realizadas por D. Pedro II, ainda no século XIX, visando a produção de seda, a produção de fio de seda no Brasil começou por volta de 1920, no estado de São Paulo.

Em 1928 uma organização japonesa com o nome de Federação das Cooperativas Imigratórias ao Exterior se instalou formalmente no Brasil com o nome de Sociedade Colonizadora do Brasil Ltda. Em japonês o nome desta sociedade colonizadora pronuncia-se Burajiru Takushoku Kumiai, que ficou conhecido pela sua forma abreviada: Bratac.

No Estado de São Paulo, a Bratac implantou núcleos de colonização nos municípios de Bastos e Tietê (atual município de Pereira Barreto) e no Estado do Paraná foi implantado um núcleo de colonização no município de Três Barras (atual município de Assaí). Estes três núcleos de colonização eram denominados “as três colônias da Bratac”.

Neste mesmo período, havia também uma outra colonizadora no Brasil, chamada “Kaiko”, Kaigai Kogyo Co. que em atuação conjunta com a Bratac iniciou a introdução dos imigrantes japoneses no Brasil. A estas empresas colonizadoras, a Bratac que se dedicava aos loteamentos de terra, a Kaiko, que se encarregava da introdução de imigrante e da administração das colônias, juntou-se a Tozan, que se dedicava a fazenda de café e comércio exterior. As três empresas eram denominadas de “Os Três Poderes da Colônia Japonesa”.

Em 1930, com os primeiros colonos japoneses já devidamente assentados no município de Bastos, tem início, dentre as várias atividades, experiências com a criação do bicho-da-seda. As primeiras produções de casulos foram vendidas à Industria de Seda Nacional S.A. com sede em Campinas, com o apoio do Governo do Estado de São Paulo.

No ano de 1940, com o crescimento da atividade, e diante das dificuldades de escoamento da produção em virtude da precariedade das estradas, o núcleo de Bastos, contando então com uma produção anual próxima a 25 toneladas de casulo, decide, através da Sociedade Colonizadora do Brasil Ltda. (Bratac), implantar uma de fiação de seda. A fiação Bratac de Bastos iniciou suas atividades, contando com 20 bacias de fiação manual, importadas do Japão juntamente com equipamentos para cozimento do casulo e colocação do fio em meadas. Todos os equipamentos eram de operação manual. Anos depois, uma nova fábrica de fiação de seda foi implantada pela Bratac no núcleo de Colonização Tietê, atualmente, município de Pereira Barreto.

Do início das atividades da Bratac, até fins da década de 50 e início dos anos 60, a quase totalidade da criação do bicho-da-seda era desenvolvida por imigrantes japoneses. No período de 1954 a 1959, com a autorização do governo brasileiro, imigraram do Japão para o Brasil, aproximadamente 200 famílias, com o objetivo precípuo de criar bicho-da-seda.

Em 1972, instala-se no município de Cornélio Procópio-PR a Kanebo Silk do Brasil Indústria de Seda. Na década de 80, o sistema cooperativista do Paraná passou a participar da cadeia produtiva da seda através da COCAMAR - Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Maringá Ltda. Na safra de 1985/1986 o Paraná tornou-se o maior produtor nacional de casulos de  bicho-da-seda .

Hoje, a fiação Bratac,  uma empresa de capital 100% brasileiro, é a única fiação em operação no Brasil, emprega mais de 2.000 funcionários nas cidades de Londrina e Bastos. A Bratac conta ainda com aproximadamente 2.000 famílias de sericicultores integrados ao processo de produção de casulo e gera empregos indiretos para cerca de 10.000 pessoas

O Brasil é o único produtor de fio de seda em escala comercial  no Ocidente, sendo o quarto maior produtor mundial de fios de seda crua, atrás apenas da China, Índia e Uzbequistão.

Obtidos a partir da fiação dos casulos de  bicho-da-seda  produzidos no Brasil, atualmente cerca de 90% da produção brasileira de fios de seda é exportada como fio de seda crua, com baixo valor agregado.

A concentração da comercialização da seda produzida no Brasil em artigo de baixo valor agregado como o fio de seda crua reduz a competitividade da seda brasileira e pode ser apontada como um dos fatores determinantes para o declínio do número de sericicultores paranaenses, que passou de 7.914 em 1998 para algo em torno de  2.000 famílias em 2015.